Escrita matinal
É (quase) assim quando deixo meus pensamentos livres no papel
Será que aos 50 anos virei Gen Z? Este questionamento nasce a partir de uma preguiça que me habita há mais de um ano e que dialoga com um comportamento digital característico da Geração Z: em sua maioria, é uma galera que não posta no feed do Instagram, apenas stories. E mais: muitos mantêm seus perfis fechados apenas para (poucos) familiares e (muitos) amigos. Vale acrescentar: isso falando de um recorte de jovens que estão na antiga rede social de fotos; em sua maioria, a Gen Z está no TikTok.
Por que eu me identifico?
Domingo passei um dia incrível na praia, tirei algumas fotos - sempre registro meus dias - e quando estava selecionando algumas imagens e vídeos para compartilhar nos stories, pensei que aquelas imagens valeriam ir para o feed, para que eu eternizasse aquele dia para além das 24 horas em que os stories ficam no ar. E que oportunidade bacana para escrever e tirar a poeira da hashtag diariodagle… daí comecei a me perguntar quais os reais motivos para querer dividir meu dia no feed daquele rede social e embarquei em algumas reflexões que me deixaram cansada. No fim, nada postei.
E isso aconteceu na semana anterior, no carnaval, no início do verão e em cada vez que eu vivi um dia bacana ou um acontecimento interessante e fui visitada pelo desejo de postar no feed. Minha alma só pode ter sido possuída por um espírito Gen Z, uai!
Deixando a brincadeira de lado, acredito que o caminho, SE eu quiser postar, seria apenas deixar as fotos e vídeos lá, num dump sem legenda. Mas, verdade seja dita, quando surge o desejo de postar ele passa num instante. Tem me bastado mesmo compartilhar fragmentos da minha vida nos stories.
A vida da gente muda que é uma beleza! Se fui apegada a certos comportamentos, não lembro mais. Mas fui sim a pessoa que queria e postava todos os dias, até mais de uma vez ao dia. Ficava ansiosa esperando que as amigas compartilhassem os registros que haviam feito, para eu subir no Orkut, fazer um álbum no Facebook ou postar no Instagram. Não vou nem mencionar o Fotolog. Daí a gente pisca e mudamos de comportamento. C’est la vie!
Não busco aqui tirar algum aprendizado ou lição do que eu ainda estou elaborando. Só estou te convidando a visitar um dos pensamentos que me visitaram na semana que passou.

Viver há quase oito anos nesse pedacinho de nordeste que é Boipeba me rendem aulas diárias sobre os Brasis que aqui me são apresentados e de muitos outros que desconheço. Ser sudestina, mais especificamente paulistana, parece ter me deixado com uma visão limitada sobre nossas diversas identidades. Foi a partir de 2012, quando iniciei um período de trabalho em uma ONG que meu olhar se ampliou. Ainda que eu fosse da área administrativa, tive o privilégio de conhecer outros jeitos de construir uma sociedade mais justa e pude mergulhar em Brasis potentes que eu desconhecia. Durante os anos pela CASA7 me vi diante meu olhar limitado e, muitas vezes, preconceituoso que, aos poucos foi sendo desconstruído. Costumo pensar que este trabalho me salvou de uma vida medíocre.
Esse preâmbulo todo para falar de mais uma pessoa que sigo nas redes sociais e que estes dias, num vídeo de quase uma hora no YouTube, me apresentou mais da caatinga, o único bioma exclusivamente brasileiro, me fez de descobrir que juazeiro é nome de árvore, e não apenas de cidade, assim como o cacto xique-xique. E a bromélia macambira, que está em uma das músicas de Flávio José, finalmente ganhou forma em minha mente. O perfil de Saulo, um cidadão do Crato (CE) foi mais uma recomendação do algorítmo do Instagram e desde meados do segundo semestre de 2025 eu acompanho suas aventuras de bike, que hoje está pela Caatinga, mas rodou sobre duas rodas Portugal, América do Sul e parte do nordeste.
Daí que só penso no quanto de país tenho para explorar, sendo que mal conheço a própria Bahia, estado no qual resido.
Para finalizar, como contei semana passada, sou uma apreciadora da área de arquitetura e decoração. E tem algo que há algum tempo me incomoda em muitos vídeos sobre o tema: por que temos que pensar em formas de esconder eletrodomésticos ao desenvolver um projeto de decoração? Será que a forma ficou mais importante que a função?
Essa angustiazinha é só uma bobagem da pessoa que é esteta, adoraria ter eletrodomésticos com cara de vintage da Smeg, mas que mesmo sem ter, quer a airfryer e a panela de pressão elétrica à mão, sobre um balcão.
Por hora, pouparei vocês de mais dos meus fluxos de pensamentos - mas siga lendo, que tem um tico mais do que consumi na última semana e informações sobre como ajudar as pessoas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais.
Caminho
🧡
Juiz de Fora e Zona da Mata de MG
Fortes chuvas atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais e Juiz de Fora. Milhares de pessoas estão desabrigadas, além dos animais atingidos por esse desastre. Podemos ajudar doando para:
GRAD - Grupo de Apoio a Animas em Desastres: chave-pix doe@gradbrasil.org.br ou por este link - Até dia 28/2, já foram mais de 100 animais resgatados.
JUIZ DE FORA: contribua@pjf.mg.gov.br
Dados do PIX: Banco do Brasil. Agência: 2592-5 / Conta: 77149 - X
UBÁ: Dados oficiais para doação: chave PIX: 18.128.207/0001-01
Agência: 0270-4 | Conta Corrente: 76.765-4 | Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social | CNPJ: 18.128.207/0001-01
Links da Glê
A catita e o Dani estão juntos no podcast o que te incomoda?, e do episódio cultura da pressa fiquei com a questão de quando o outro delega a pressa dele a você; em algum grau este tipo de situação me lembrou os trechos do livro do Michel Alcoforado, em que as pessoas ricas impõem o que ele deve fazer para ser ou se comportar como um deles.
Já que falei sobre outros brasis, o Tiny Desk Brasil com Manoel e Felipe Cordeiro me apresentaram a uma parte do Norte que sonho conhecer!
Continuando na região Norte, Rock Doido, da diva Gaby Amarantos, é um álbum que coloco pra ouvir quando tô borocoxô.
Essa semana, além de ter terminado de ver a quarta temporada de Bridgertons, eu assisti ao filme #SalveRosa, na Netflix. Karine Teles toma aqui o Oscar - sou fã! É um bom drama psicológico, porém achei muito rápido o desenvolvimento e encerramento a partir do ápice do filme. Ainda assim, vale a pena ver.
Puxando o gancho para crianças, diante da criminosa decisão jurídica, já revogada, que julgou ok um homem de 35 anos se envolver com uma CRIANÇA de 12 anos, esse vídeo aqui da Neuropsicóloga e Psicanalista Maria Nogueira Maia é importantíssimo.


Eu também tenho perdido a vontade de postar sempre no feed do IG :(
E eu sempre fui bem ativa lá. Não sei exatamente o que acontece, se a plataforma é o problema ou se sou eu...vou refletir!
Oioi! Eu acho que essa preguiça de postar tem a ver tb com um entendimento desse posicionamento do Instagram como "rede de entretenimento". Lá sou eu entretenimento de alguém? Hahahah
Nós últimos meses, eu deixei meu perfil pessoal criando teia de aranha e comecei a usar o que seria de trabalho. Ali, falo de trabalho e, as vezes, jogo um dump aleatório (como fiz ontem).
Ah, vi na news passada que tu tá na comunidade do IA em curso. Eu tb ❤️